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Mostrando postagens de julho, 2014

"Uns Braços" Narrativo ou Lírico?

Naquele dia, enquanto a noite ia caindo e Inácio estirava-se na rede (não tinha ali outra cama), D. Severina, na sala da frente, recapitulava o episódio do jantar e, pela primeira vez, desconfiou alguma cousa. Rejeitou a ideia logo, uma criança! Mas há ideias que são da família das moscas teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas tornam e pousam. Criança? Tinha quinze anos; e ela advertiu que entre o nariz e a boca do rapaz havia um princípio de rascunho de buço. Que admira que começasse a amar? E não era ela bonita? Esta outra ideia não foi rejeitada, antes afagada e beijada. E recordou então os modos dele, os esquecimentos, as distrações, e mais um incidente, e mais outro, tudo eram sintomas, e concluiu que sim. (Machado de Assis, "Uns braços", in: Várias histórias, 1896) O trecho da obra de Machado de Assis “Uns Braços”, aqui analisado, não pode ser considerado como lírico, primeiramente, porque possui personagens nítidos, ou seja, “Inácio e D. Severina”, e todo o ...