GÊNEROS LITERÁRIOS

Platão foi o primeiro a tomar consciência sobre os gêneros literários, mas Aristóteles, através de sua ilustre obra “Poética”, começou a abordar a classificação dos elementos formais e conteudísticos consignados por características afins e considerou dois modos básicos de produção poética: o narrativo e o dramático. No entanto, os críticos renascentistas e clássicos incluíram o lírico entre os gêneros e deram início à carreira da divisão tripartida da produção literária que seria o lírico, o épico e o dramático. Durante os séculos XVI, XVII, XVII e XIX, muitas mudanças estruturais ocorreram com o Barroco, o Classicismo, o Pré-romantismo e o Romantismo, influenciados por Vitor Hugo e Brunitière, refletindo inspirações darwinistas, polemizando assim a admissão dessas novas formas literárias e, tendencialmente, os escritores modernos buscavam a liberdade sobre as intolerâncias acadêmicas para classificação dos gêneros, encaixando na divisão tripartida a multiplicidade da produção literária. Então Emil Staiger, adotou a tripartição, estabelecendo a diferença básica entre conceituação substantiva e adjetiva, sendo que nenhuma obra poderia ser classificada exclusivamente em um único gênero e muitos autores utilizavam-se da palavra gênero para denominar as mais diversas categorias literárias. O gênero lírico possui estilo próprio e está sempre ligado ao íntimo e ao sentimento, juntamente com a fusão do sujeito e o objeto, pois o estado anímico envolve o mundo interior e exterior, passado, presente e futuro, associado aos fenômenos estilísticos do gênero lírico estão a musicalidade, a repetição, o desvio da norma gramatical, a antidiscursidade, alogicidade, construção paratática e a conclusão. Esses fenômenos podem apresentar-se em qualquer obra, mas apenas quando predominam é que se enquadram no contexto lírico. O gênero épico também toma para si fenômenos estilísticos específicos a este contexto. Primeiramente aprimorando a conceituação (epopéia deriva de epos que em grego significa recitação, ou que narrava em fato a um grupo de ouvintes, propondo a atenção e objetivando a observação para registro e apresentação), contudo, detêm fenômenos estilísticos singulares a esse gênero como o passado e, mesmo que venha a tratar do presente, este é empregado no presente histórico, a grandiloquência, dispondo-se a episódios espetaculares, grandiosos e retumbantes, a narrativa e a ação porque a ação narrada sempre apresentada dita comportamentos humanísticos e acontecimentos, constituindo dessa forma o enredo. A inalterabilidade proposta pelo distanciamento entre o sujeito e o objeto para a não oscilação do estado efetivo lírico (não significando exatamente o desaparecimento total do autor), o desenrolar progressivo, onde este apresenta uma variedade de fatos, prendendo a atenção do leitor e desviando o interesse do desenlace (a autonomia das partes é o básico da poesia épica, que provém do desenrolar progressivo da ação) e a conclusão. Somente quando esses fenômenos sobrepõem-se sobre as demais obras, pode-se identificar o gênero épico. Já o gênero dramático oferece certa ambigüidade terminologicamente falando, pois emprega-se diversas vezes sinônimos a esse termo, tais como: peça teatral, também como composicional da tragédia e da comédia e dispondo estabelecer a diferenciação no ramo genérico. Citações “Para Emil Staiger, os substantivos Lírica, épica e Drama referem-se ao ramo, em que se classifica a obra, de acordo com determinadas características formais [...], os adjetivos lírico, épico e dramático definem a essência, isto é, os traços característicos da obra, manifestados por seus fenômenos estilísticos” (p. 96) “Rosenfeld se pronuncia dizendo: Pertencerá a Lírica todo poema de extensão menor, na medida em que nele não se cristalizarem personagens nítidos e em que, ao contrário, uma voz central – que quase sempre um Eu – nele exprimir seu próprio estado de alma” (p. 97) “Susanne Langer denomina discursividade a propriedade de uma espécie de simbolismo, o verbal, segundo o qual as idéias se enfileiram como ocorre nas sequências frasais. Existem coisas que não adaptam à linearidade da forma gramatical discursiva, havendo outra espécie de simbolismo, o apresentativo, que funciona de modo simultâneo e integral. O poema pertence ao simbolismo apresentativo, porquanto sua significação não é linear e sim globalizante” (p. 103) “o professor Eduardo Portella é categórico: imitar é aqui criar”. (p. 110) Considerações Finais Os gêneros literários classificados como lírico, épico ou dramático, em suas complexidades e características singulares, nos remetem as variadas formas e manifestações pela divisão tripartida, sendo subdividido em (soneto, epopéia, drama...), pelo interesse até hoje manifestado por estudiosos, o assunto manifesta-se através das gerações e historicamente aguça a curiosidade dos leitores apreciadores desses segmentos literários.

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