Nau Catrineta: Aspectos literários referentes ao gênero épico.
RESUMO: O presente artigo visa uma melhor compreensão das particularidades conferidas à narrativa do conto Nau Catrineta de Ruben Fonseca, esmiuçando a categoria do gênero épico de forma que o conteúdo aqui abordado venha elucidar suas particularidades e semelhanças correlativas ao Manifesto Antropofágico de Oswald de Andrade, o poema Nau Catrineta de autoria do romanceiro Almeida Garret e Imagens de Índios de Manuela Carneiro Cunha.
PALAVRAS-CHAVE: narrativa, gênero, épico, particularidades, semelhanças.
ABSTRACT: This article aims at a better understanding of the particularities conferred on the tale narrative Nau Catrineta of Ruben Fonseca, scrutinizing the category of epic genre so that the content addressed here will elucidate their peculiarities and similarities correlative to Anthropophagic Manifest of Oswald de Andrade, Nau Catrineta authored by ballads Almeida Garret and Indian’s image of Manuela Carneiro da Cunha.
KEYWORDS: narrative, genre, epic, particularities, similarities.
O gênero épico (narrativo).
Com o processo evolutivo da poesia, pudemos observar o surgimento de um dos mais expressivos gêneros da história literária ocidental: a narrativa. O gênero narrativo, como hoje o conhecemos, é um gênero em prosa, que, de acordo com sua estrutura, forma e extensão, divide-se em quatro modalidades: romance, novela, conto e crônica. Em qualquer uma delas, temos a representação, a criação de um mundo mais ligado à vida individual, particular, sem a grandiosidade e a heroicidade das epopeias. O gênero narrativo também é chamado de ficção, justamente porque é a criação, a invenção de outra realidade ou sua tradução para a linguagem verbal. Ao analisarmos o conto Nau Catrineta de Fonseca, observamos aspectos de irrealidade, de ficção, onde o narrador desenvolve o enredo objetivando criar algo imaginário que possa fisgar a atenção dos leitores, utilizando-se da criação idealizadora de uma suposição. E isso é literatura. O ato de ficção, de exteriorizar uma história inventada ou fingida, fictícia, arquitetada, que resulta de um invento de cunho imaginativo, com ou sem finalidade de iludir ou enganar. Podemos avaliar tais características no trecho abaixo retirado do conto de FONSECA: “[...] E já comemos gente, disse tia Julieta; o nosso avô antigo, Manuel de Matos era imediato da Nau Catrineta e comeu um dos marinheiros sacrificados para salvar os outros da morte pela fome [...]. Vemos nesse trecho a literatura imaginária, que nada mais é que a explanação da vida por um artista através da palavra. Essa interpretação está sendo contada em um formato de história, aumentando assim sua interpretação. A ficção apresentada no texto não pretende fornecer um simples retrato da realidade, mas, antes, criar uma imagem da realidade, uma reinterpretação, uma revisão. O gênero narrativo surgiu com as histórias de ações heróicas por volta do século VII a.C. A narrativa épica é realizada em versos, num longo poema chamado de epopéia, que ressalta as excelentes qualidades de um herói, protagonista de fatos históricos ou maravilhosos. As epopéias que surgiram na civilização ocidental, na sua maioria, derivam de três obras básicas, que são tomadas como modelos perfeitos: Ilíada e Odisseia, escritas pelo poeta grego Homero (séc. VII a.C.), e Eneida, do poeta latino Virgílio (séc. I a.C.). Em Língua Portuguesa, o exemplo máximo da épica é Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Neste poema épico, o poeta relata as grandes conquistas do navegador português Vasco da Gama, que simboliza o povo lusitano dominando os mares no século XVI. É notável nos textos épicos, a participação do sobrenatural na vida dos humanos. É frequênte a mistura de assuntos relativos ao nacionalismo com o caráter maravilhoso, como é o caso do Manifesto Antropofágico 1928 e Imagens de índios. As antigas epopéias, como já vimos, são narrativas em forma de versos, como é o caso da obra Nau Catrineta de Garret. Sua estrutura é fixa e um tanto singular em relação aos outros gêneros. Ela apresenta os elementos essenciais da narrativa (enredo, narrador, personagens, espaço e tempo) em versos de tamanhos regulares. Toda essa estrutura é dividida em partes, que marcam não só sua forma, mas também seu conteúdo. Romenceiro como identidade épica-narrativa Tomo como exemplo representativo o poema Nau Catrineta de Almeida Garret como relativo ao gênero épico-narrativo com características medievais e, pertencente unicamente a tradição portuguesa que se caracterizava por ser um poema cantado. Como podemos observar no fragmento de GARRET, abaixo: “Alvíssaras, capitão, Meu capitão general! Já vejo terras de Espanha, Areias de Portugal!” Mais enxergo três meninas, Debaixo de um laranjal: Uma sentada a coser, Outra na roca a fiar, A mais formosa de todas Está no meio a chorar.” O manifesto Antropofágico A linguagem do manifesto é majoritariamente metafórica, contendo fragmentos poéticos bem-humorado, embora haja presente em suas linhas de composição aspectos que o destaquem como narrativo. Essa obra foi um marco no Modernismo brasileiro, pois não somente mudou a forma do brasileiro encarar o fluxo de elementos culturais do mundo, mas também colocou em evidência a produção própria, a característica brasileira na arte, ascendendo uma identidade tupiniquim no cenário artístico mundial. Oswald de Andrade propõe uma “deglutição” dos estilos e modelos internacionais para a produção de algo totalmente novo e com a cara do Brasil.
PALAVRAS-CHAVE: narrativa, gênero, épico, particularidades, semelhanças.
ABSTRACT: This article aims at a better understanding of the particularities conferred on the tale narrative Nau Catrineta of Ruben Fonseca, scrutinizing the category of epic genre so that the content addressed here will elucidate their peculiarities and similarities correlative to Anthropophagic Manifest of Oswald de Andrade, Nau Catrineta authored by ballads Almeida Garret and Indian’s image of Manuela Carneiro da Cunha.
KEYWORDS: narrative, genre, epic, particularities, similarities.
O gênero épico (narrativo).
Com o processo evolutivo da poesia, pudemos observar o surgimento de um dos mais expressivos gêneros da história literária ocidental: a narrativa. O gênero narrativo, como hoje o conhecemos, é um gênero em prosa, que, de acordo com sua estrutura, forma e extensão, divide-se em quatro modalidades: romance, novela, conto e crônica. Em qualquer uma delas, temos a representação, a criação de um mundo mais ligado à vida individual, particular, sem a grandiosidade e a heroicidade das epopeias. O gênero narrativo também é chamado de ficção, justamente porque é a criação, a invenção de outra realidade ou sua tradução para a linguagem verbal. Ao analisarmos o conto Nau Catrineta de Fonseca, observamos aspectos de irrealidade, de ficção, onde o narrador desenvolve o enredo objetivando criar algo imaginário que possa fisgar a atenção dos leitores, utilizando-se da criação idealizadora de uma suposição. E isso é literatura. O ato de ficção, de exteriorizar uma história inventada ou fingida, fictícia, arquitetada, que resulta de um invento de cunho imaginativo, com ou sem finalidade de iludir ou enganar. Podemos avaliar tais características no trecho abaixo retirado do conto de FONSECA: “[...] E já comemos gente, disse tia Julieta; o nosso avô antigo, Manuel de Matos era imediato da Nau Catrineta e comeu um dos marinheiros sacrificados para salvar os outros da morte pela fome [...]. Vemos nesse trecho a literatura imaginária, que nada mais é que a explanação da vida por um artista através da palavra. Essa interpretação está sendo contada em um formato de história, aumentando assim sua interpretação. A ficção apresentada no texto não pretende fornecer um simples retrato da realidade, mas, antes, criar uma imagem da realidade, uma reinterpretação, uma revisão. O gênero narrativo surgiu com as histórias de ações heróicas por volta do século VII a.C. A narrativa épica é realizada em versos, num longo poema chamado de epopéia, que ressalta as excelentes qualidades de um herói, protagonista de fatos históricos ou maravilhosos. As epopéias que surgiram na civilização ocidental, na sua maioria, derivam de três obras básicas, que são tomadas como modelos perfeitos: Ilíada e Odisseia, escritas pelo poeta grego Homero (séc. VII a.C.), e Eneida, do poeta latino Virgílio (séc. I a.C.). Em Língua Portuguesa, o exemplo máximo da épica é Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Neste poema épico, o poeta relata as grandes conquistas do navegador português Vasco da Gama, que simboliza o povo lusitano dominando os mares no século XVI. É notável nos textos épicos, a participação do sobrenatural na vida dos humanos. É frequênte a mistura de assuntos relativos ao nacionalismo com o caráter maravilhoso, como é o caso do Manifesto Antropofágico 1928 e Imagens de índios. As antigas epopéias, como já vimos, são narrativas em forma de versos, como é o caso da obra Nau Catrineta de Garret. Sua estrutura é fixa e um tanto singular em relação aos outros gêneros. Ela apresenta os elementos essenciais da narrativa (enredo, narrador, personagens, espaço e tempo) em versos de tamanhos regulares. Toda essa estrutura é dividida em partes, que marcam não só sua forma, mas também seu conteúdo. Romenceiro como identidade épica-narrativa Tomo como exemplo representativo o poema Nau Catrineta de Almeida Garret como relativo ao gênero épico-narrativo com características medievais e, pertencente unicamente a tradição portuguesa que se caracterizava por ser um poema cantado. Como podemos observar no fragmento de GARRET, abaixo: “Alvíssaras, capitão, Meu capitão general! Já vejo terras de Espanha, Areias de Portugal!” Mais enxergo três meninas, Debaixo de um laranjal: Uma sentada a coser, Outra na roca a fiar, A mais formosa de todas Está no meio a chorar.” O manifesto Antropofágico A linguagem do manifesto é majoritariamente metafórica, contendo fragmentos poéticos bem-humorado, embora haja presente em suas linhas de composição aspectos que o destaquem como narrativo. Essa obra foi um marco no Modernismo brasileiro, pois não somente mudou a forma do brasileiro encarar o fluxo de elementos culturais do mundo, mas também colocou em evidência a produção própria, a característica brasileira na arte, ascendendo uma identidade tupiniquim no cenário artístico mundial. Oswald de Andrade propõe uma “deglutição” dos estilos e modelos internacionais para a produção de algo totalmente novo e com a cara do Brasil.
Comentários
Postar um comentário