Análise do poema "O açúcar".
Analise dos aspectos sociais contidos na estrutura do texto "O açúcar", de Ferreira Gullar.
O poema “O açúcar”, de Ferreira Gullar, é uma obra muito bonita e que retrata bem a natureza social capitalista em que estamos inseridos em nosso país, uma nação de desigualdades extremas.
O poema é composto por trinta e três versos livres, que fazem alusão à vida amarga dos homens que cultivam, colhem, transportam as canas e as beneficiam para as transformarem em um açúcar puro, alvo e doce ao paladar daqueles que não passam pelas situações subumanas que os donos de engenho oferecem aos trabalhadores em seus canaviais.
Podemos notar que o eu lírico do poema “O açúcar” é uma voz que reflete de forma participativa todo o enredo, voltando seu pensamento de forma reversa, de trás para frente, do açucareiro até a plantação. E, assim, passa ao leitor um pensamento crítico acerca dos valores que estão, deveras, escassos de nossa realidade social, pois enquanto o eu lírico aprecia um café adocicado, as mão que o produzem passam fome, e morrem cedo em usinas de Pernambuco ou no Rio de Janeiro.
Todo o percurso, de volta à usina, faz com que o eu lírico se conscientize e conscientize ao leitor que não é da mercearia, que por milagre o açúcar aparece, nem é pela mão do dono da mercearia que o mesmo é produzido, há uma longa jornada para que o açúcar chegue ao açucareiro e, por conseguinte, ao café e a boca para a degustação, passando a imagem em nossos pensamentos de que o açúcar na realidade não é doce, e sim, amargo.
O eu lírico reflete, que o açúcar não foi feito por ele também e nem pelo dono da usina, nos levando a entender que existem pessoas específicas para tal trabalho, um trabalho degradante, maçante, fatal... Que somente aqueles que estão à mercê da sorte, de migalhas, é que o aceitam, pois os valores são pagos, mas de forma insuficiente, sem o devido valor que lhes deveria pagar. E, ao refletir sobre isso, tanto o eu lírico quanto o leitor, passam a enxergar um mundo diferente daquilo que vivem, pois Ipanema é um bairro nobre, não é o cenário de horror onde vivem famílias paupérrimas, distantes de qualquer benefício social como: hospitais e escolas. Vivem escondidas no meio do mato em situações de semiescravidão em usinas escuras.
Analisando a crítica social existente neste poema, podemos também indagar que Ferreira Gullar utilizou-se da realidade encontrada, principalmente no nordeste, para tecer à partir dela, uma obra há sensibilizar e provocar aqueles que a leem, à refletir sobre os problemas reais de nossa sociedade, tais quais: O capitalismo exacerbado, níveis sociais altamente divergentes, realidades sociais amplamente opostas. E assim, busca levar, de maneira poética, o leitor a refletir sobre os valores que estão sendo esquecidos e que nunca fizeram parte da história da colonização de nosso país, pois sempre houve o abuso, a postura escravagista dos mais afortunados sobre os pobres e a soberba postural dos governistas e pessoas abastadas sobre os menos favorecidos. Que possamos rever conceitos e assumir uma postura diferenciada, obtendo um olhar caridoso e reflexível sobre aqueles que são a base da sociedade, o pobre.
Comentários
Postar um comentário