(Resumo) A época romântica da era moderna.
RESUMO
D’ONOFRIO,
Salvatore. A época romântica da era moderna. In. _____. Literatura ocidental: autores e obras fundamentais. São Paulo:
Ática, 1990. p. 327-376.´
O texto aqui apresentado vem de forma sintetizada, abordar o
capítulo descrito acima, visando transmitir ao leitor, o que vem a ser o
Romantismo (estilo de época). “Que, segundo o autor, é descrito primordialmente
como uma atitude espiritual”, ou seja, é uma canalização emotiva da imaginação
a uma determinada atitude diante da vida, essencial ao homem. Portanto, na
visão romântica, a arte e a vida, correspondem ao espírito dionisíaco (caracterizando-se pelo simbolismo, desordem,
individualismo, força subconsciente coletiva e liberdade em suas
manifestações).
O Romantismo surgiu na Alemanha e na Inglaterra, em meados do
século XVIII e início do século XIX, objetivando defender a liberdade de
sentir, viver e expressar, abominando o absolutismo, seja ele político,
religioso, social ou estético e sendo contrário ao Classicismo, favorecendo
assim a liberdade de expressão artística. Seu surgimento como fenômeno
artístico-literário, está relacionado ao desenvolvimento sociocultural, causados
pela Revolução Industrial e a Revolução francesa, que levaram a Europa a um
desenvolvimento considerável e, por conseguinte, induzindo o povo ao desejo de
liberdade, contra toda ou qualquer tirania. No entanto, a ilusão liberalista
entra em conflito com a realidade histórica da época, o que ocasionou a
distinção de duas linhas de forças antitéticas: a corrente reacionária e a
corrente revolucionária.
O homem romântico é contraditório, pela luta insuperável
entre a ideia impenetrável e o real depreciativo, busca refúgio na solidão e
morte ou tenta alterar a realidade, ou seja, é antagônico pelo fato de estar
sempre em conflito, desejar e não alcançar o desejo, amar e não concretizar o
amor, enfim.
A produção literária romântica apresentou variantes em espaços
e tempos diferentes, compartilhando as mesmas características, entretanto,
evoluindo através de três gerações divididas em três macrogêneros: a produção narrativa,
épica e dramática, mas que se distinguiam do Classicismo por diversos
fatores. Podemos observar que o estilo de época romântico, apresenta-se de
forma singular em cada obra, ela não se limita a regras imposta e suas
características em comparação ao Classicismo são totalmente contrárias, opostas
e antagônicas, pois enquanto o estilo clássico é objetivo, condicionado,
utiliza-se da razão e de elementos da contemporaneidade, faz uso do otimismo,
visa o herói exemplar, o real, a mente lúcida e prioriza a tradição cultural, o
Romantismo é subjetivista, enfatiza a liberdade, o sentimento imaginário, o
historicismo, o pessimismo (mal do século), personagens jovens burgueses de
classe média, a fantasia, a embriaguez, a natureza e a sociedade indígena.
Todos estes contrastes são muito peculiares a cada escola literária.
Pode-se observar no Romantismo, a introdução da narrativa
em prosa que substitui a poesia clássica. Muitas obras, tanto da narrativa
alemã quanto inglesa, apresentaram autores que ficaram reconhecidos por criarem
personagens que repercutiram internacionalmente ao escreverem obras maravilhosas,
como é o caso de Goeth (1749-1832), escritor do romance de renome internacional
“Os sofrimentos do jovem Werther”, de Walter Scott (1771-1832) escritor de
“Ivanhoé” e Edgar Allan Poe (1809-1849), em “Os crimes da rua Morgue”. Poe deu
início as obras de ficção no continente americano, onde exerceu influencias
sobre os autores do Velho Mundo. Depois dele, vários outros autores ocidentais
surgiram, buscando seguir seus passos, como aconteceu com Émile Gaboriau, Conan
Doyle e Julio Verne.
Outro nome que contribuiu de forma positiva para a chegada do
Romantismo na França foi o pré-romantico Jean-Jaques Rousseau (1712-1778), que
propôs que cada um fosse educado segundo seus talentos espirituais, através de
sua obra intitulada “Emílio” (obra mais importante). Sua ideologia também
esteve presente em “Contrato social” e “A Nova Heloísa”. Contudo, aquele que
iniciou o Romantismo na França foi Chateau Briand (1768-1848), autor de grandes
obras como: “René e Atala” e “Memórias de além tumulo”. Alexandre Dumas “pai”
(1802-1870), também está entre os grandes autores, sendo ele romancista e
teatrólogo, criou as obras de sucesso “Os três mosqueteiros” e “O conde de
Monte Cristo”. Já o primeiro a introduzir na França o romance psicológico foi
Stendhal (1783-1842), com estilo realístico lançou a obra “O vermelho e o
negro” e “A cartuxa de Parma”. Agora, o maior expoente do romantismo francês
foi Victor-Marie Hugo (1802-1885), tendo como referência as obras: “Han de
Islândia”, “Bug-Jargal”, “Cromwell”, “Notre-Dame de Paris”, “Os miseráveis”,
“Os trabalhadores do mar” e “O homem que ri”.
Na Itália, Ugo Foscolo (1778-1827) e Alessandro Manzoni
(1785-1873), criaram obras utilizando-se da narrativa de ficção, a exemplo das
obras “As últimas cartas de Jacopo Ortis” e “Os noivos” respectivamente.
A introdução do Romantismo em Portugal deu-se pelo surgimento
de vários autores consagrados e um dos principais deles é Almeida Garret
(1779-1854), que escreveu “O arco de Sant’Ana” e “As virgens na minha terra”.
Outro escritor português de primeira linha foi Alexandre Herculano (1810-1877)
com seu romance escrito em prosa: “Eurico, o presbítero”. Júlio Dinis (1839-1871)
também ficou marcado na história do Romantismo português por ter escrito muitas
obras de ficção. Entre elas estão: “Uma família inglesa”, “As pupilas do senhor
reitor”, “A morgadinha dos canaviais”, “Os sertões de província” e “Os fidalgos
da casa mourisca”. E o autor Camilo Castelo Branco (1825-1890), criou obras de
conteúdo passional, como: “Onde está a felicidade?”, “Amor de perdição”, “O
judeu”, “A doida do Candal” e “A brasileira de Prazins”.
No Brasil a prosa de ficção começou a ser produzida a partir
da escola romântica, tomando como inspiração a natureza, com tendências para a
narrativa sertaneja e indianista. Um dos pioneiros da nossa literatura
brasileira é Joaquim Manoel de Macedo (1820-1882), com o romance “A moreninha”,
o segundo romancista brasileiro citado aqui é Machado de Assis (primeira fase)
com: “A mão e a luva”, “Ressurreição”, “Helena” e “Iaiá Garcia”, mas o escritor
que ficou marcado como grande ampliador e fixador dos padrões de romance
romântico brasileiro foi José de Alencar (1829-1877), considerado um dos
maiores escritores da literatura brasileira e que se consagrou com a sua mais
famosa obra “Iracema”, também conhecida como “Lenda do Ceará”.
José de Alencar, nesta referida obra, adotou o estilo lírico
através da prosa poética, baseando-se na figura indígena e em aspectos naturais
da época como a fauna e flora e o idealismo sentimental entre os personagens
principalmente Iracema – a virgem dos lábios de mel. Nesta obra, Alencar, a
partir de um fato histórico, relata de forma sublime a colonização do nordeste
brasileiro, em especial o Ceará. Dessa forma, a partir da lenda em que o
português Martim que se apaixona pela índia tabajara Iracema ele explora, de
forma artística, fatos da cultura indígena e dá origem ao romance que o
consagrou, pois é o melhor exemplo de literatura indianista escrito na época e
que marcou o romantismo brasileiro porque a cultura predominante é a indígena,
pois o guerreiro branco não impõe seus costumes e sim, adquire os costumes da
tribo, fazendo uma analogia entre Iracema e nossa terra mãe, que encanta e
seduz o estrangeiro que nos visita e apaixona-se pela nossa amada terra,
ficando por aqui.
Além do gênero narrativo, o gênero lírico também somou
valores ao estilo romântico, tomando grande proporção durante esse período
histórico literário, identificando-se com a poesia na escrita. Primeiramente,
aquele que iniciou o estilo lírico romântico foi Novalis (1772-1801) na
Alemanha, ele foi o precursor da poesia romântica e simbolista, mas outros
autores também ficaram conhecidos, como Clemens Brentano (1778-1842) e Wolfgang
Goethe (1749-1832), cuja sua poesia segue uma evolução intelectual e é marcada
por poemas de renome em suas obras: “Prometheus”, “O divino”, “Viagem ao Harzno
no inverno”, “Canção da noite do caminhante”, “A lua”, “Canção dos fantasmas
sobre a água”, “Elegias romanas” e “Hermann and Dorothea”. Já na Inglaterra,
foi com Edward Young (1683-1765) que esse novo estilo literário surgiu, criando
uma poesia espontânea e rude, que distanciava-se dos modelos clássicos.
Os grandes poetas do Romantismo inglês são: John Keats
(1795-18210), lord Byron (1788-1824), William Blake (1757-1827), Samuel Taylor
Coleridge (1772-1834) e William Wordsworth (1770-1850) este último, iniciou o
estilo coloquial, popular, mais uma vez, um estilo que se caracteriza por ser
contrário aos princípios do Classicismo. Mas talvez o maior de todos os poetas
lírico romântico de língua inglesa seja Edgar Allan Poe, pois, conseguiu expressar
esteticamente as aspirações e os embaraços, incongruências e confusões dos
homens de seu período histórico. Embora seja consideravelmente um escritor
dionisíaco, expressamente ele pode ser considerado clássico porque seus textos
são muito bem elaborados, expondo “verossimilhança interna” (p. 343). Seu poema
mais famoso é o conhecido “The raven”.
Em análise ao poema “The raven” – “O corvo”, pode-se observar
que está descrito em uma narrativa classificada como balada. O poema é narrado em primeira pessoa, onde o “eu” poemático conta um episódio de sua
vida passada que lhe marcou demasiadamente e que há um tempo psicológico em sua
escrita com aspectos ficcionais. A relação entre os personagens: “eu” poemático
(próprio autor e narrador Edgar Allan Poe), o corvo (representação artística do
pai adotivo Jonh Allan) e Lenora (amada mãe do poeta) proporcionam diversos
sentimentos ao narrador (peça fundamental, pois é aquele que passa a sentir
todas as emoções, pelo fato de somente ele utilizar-se das “emoções naturais do
ser humano” para sentir o que o eu poemático espiritualmente está expressando.
Ao passar por perdas em sua infância com a morte de sua mãe aos dois anos, Poe
sempre viveu rodeado de pessoas doentes e hostis e também passou por algumas
desilusões e conflitos de cunho amoroso, ele sempre necessitou de uma figura
feminina, mas com nenhuma consegui realizar-se, embora consiga através da
arte livrar-se de suas neuroses.
A infância de Edgar Allan Poe, não foi anda fácil, acolhido
após da morte de sua mãe por John Allan, um comerciante casado e sem filhos,
Poe muda-se para a Escócia e Inglaterra, onde iniciou sua formação escolar, mas
retorna para os Estados Unidos. Em sua adolescência inicia um romance com a mãe
de um colega, esta tem ataques de alucinação e a morte de Jane Stanard, causam
uma profunda desolação ao jovem escritor. Os anos se passam e Edgar Poe entra
em conflito com seu pai adotivo, onde se recusa a adotá-lo legalmente o que faz
com que Poe. Ao entrar na faculdade em 1826, seu pai adotivo não dá todo o
dinheiro necessário para que Poe possa estudar e desalentado, procura na bebida
e jogos refúgio. Com todo esse dilema e má fama que vinha apresentando, seu
noivado com Elmira Royster foi desfeito pelos pais da jovem. Em 1827, um ano depois,
entra para o exercito e larga a família e em 1829, morre a mãe que o criou,
contudo Poe procura seus parentes paternos e vai morar com sua tia Maria Clemm,
a qual seria no futuro sua sogra. Em 1830, decide dedicar-se plenamente a
literatura e sua verdadeira vocação. Casa-se com sua prima Virgínia de apenas
treze anos, mas não consuma o casamento por ela ser muito jovem e estar com
tuberculose. Carrega consigo uma postura embriagada e vive a procura de
emprego. Seu fim não é glamoroso, pois morre em Baltimore como um pedinte
viciado.
Na frança a lírica romântica diferencia-se pela apreciação
das emoções e sentimentos. Os três maiores lake’s
poets (poetas do lago) são: Alfred De Musset (1810-1857), imitador de Byron
cujas obras mais famosas estão na coletânea “Nuits”, Alfred De Vigny
(1797-1863), que fazia uso de símbolos, suas obras principais são: “Poème
antiques et modernes”, “Les detinées”, “Le journal d’um poete” e Alpghonse De
Lamartine (1790-1869) o mais otimista e
idealístico de todos. Suas principais obras são: “Les méditations” e “Les
harmonies”.
O homem consagrado do lirismo romântico é Vitor Hugo, que
além de grandioso poeta também escrevia romances e dramas, pois usava a
imaginação para renovar a linguagem poética. Seus melhores conjuntos de poemas
líricos estão nas obras: “Odes et balladet”, “Orientales”,
“Feui/les d'autonzne”, “Cltants du crápuscale”, “Les aoix intârieures”, “Les
rayons et les onzbres”, “Les contemp/ations”, “Les cbansons des rues et des
bois” e “Les châtinzents”.
Influenciando intensamente a lírica simbolista e modernista, Charles
Pierre Baudelaire (1821-1867), também conhecido como “poeta maldito” está acima
de qualquer escola literária. Seguidor e irmão devoto de Edgar Allan Poe
anunciou a obra de seu estimado amigo no continente europeu e traduziu os
poemas “The raven”, “História extraordinárias”, “As aventuras de Gordon Pym” e
“Revelações magnéticas”. A obra mais importante de sua carreira foi a coletânea
de nome “Les fleurs Du mal.
Já
na Itália, o maior nome reconhecido como lírico da cultura ocidental foi o do
conde Giacomo Leopard (1798-1837), por ser doente, passou parte da vida na
biblioteca de seu pai. Morreu em Nápolis (Itália), vítima de cólera. Suas obras estão contidas no livro chamado “Canti”
(cantos), onde se acham os poemas mais famosos de sua breve vida: “L'infinito”,
“A Silvia”, “Le ricordanze”, “Il sabato del villaggio”, ” La ginestra”, “Il
tramonto della Luna”, “Zibaldone” e “Operette morali”. Sempre pessimista em
suas obras, por fatores de cunho existencial.
Análisando do poema de Leopardi, "La quiete dopo la tempesta" (A
bonança depois da tempestade), o escritor descreve a “vastidão” através do
oceano figurado onde a alma descansa e fundamenta que o prazer está ligado a
dor, concluindo que só pode haver deleite quando acaba o sofrimento. Baseia-se
que a felicidade é extraída do universo campestre.
O lirismo romântico na língua portuguesa
é protagonizado por Almeida Garrett (1799-1854), que trouxe para suas obras
características estéticas tanto francesas quanto inglesas. Sua melhor poesia encontra-se no livro
“Folhas caídas”. Já em nossa nação, Brasil existem quatro gerações distintas
dos poetas tidos como românticos. A primeira geração está na década de 1830, e
seu principal expoente é Gonçalves Magalhães (1881-1882), onde tem em sua
coletânea “Suspiros poéticos e saudades” expressamente o estilo lírico do Romantismo.
Na segunda geração (1840-1850) encontramos
nomes de grande valor literário, como: Gonçalves Dias (1823-1864), maior artista da poesia. Em sua obra
“Cantos”, encontram-se escritos a maioria dos temas do romantismo europeu
ajustado que se passa no Brasil, na época, ou seja, glorificação do meio indígena,
o amor impossível em aversão a raça negra, o sentimento da natureza nativa sem
uma ideologia.
A terceira geração romântica está datada
em 1850, composta por poetas sentimentalistas de cunho lírico, cujos nomes são:
Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Cassimiro de Abreu, Fagundes Varela,
Castro Alves. Esse modelo romântico foi imitado de Vitor Hugo, que lutava
contra qualquer tipo de tirania e repressão.
O gênero dramático, assim como o lírico
e narrativo, está presente no estilo de época Romantismo. Como nos demais
gêneros acima citados, o drama também teve características opostas ao estilo
clássico, pois incluindo elementos dos demais gêneros e combinando o funesto
com o engraçado, a poesia com a canção e o balada, a prosa e o verso. Dessa
forma, novas representações foram passaram a ser valorizadas, tais quais:
ópera, melodrama, intermezzo, opereta, trágico-média, opera.
“Orfeu”, obra de Cláudio Monteverdi, foi
a primeira peça a conter todos os ingredientes do gênero operístico, contendo
orquestra, coro e árias. Depois de Nápoles, onde a peça foi apresentada pela
primeira vez, esse formato de espetáculo se espalhou para outras cidades
italianas, como: Roma, Florença e Mântua e também pela Europa e França, sendo
que foi divulgada neste último país por Giovanni Battista Lulli na Academia
Real de Música. Já na Inglaterra, Haendel,imitou o gênero operístico napolitano
com as peças: “A ópera do mendingo” readaptada por Brecht “A ópera dos três
vinténs” e por Chico Buarque de Holanda em “a ópera do Malandro”.
O teatro de ópera era destinado às camadas
nobres e ricas. Na primeira metade do século XIX, três compositores italianos
se destacaram. Um deles foi: Gioacchino Rosini com a obra “A pedra de toque”,
“A italiana em Argel” e “O turco na ltália”, outro nome foi o de Gaetano
Donizetti com as obras “D. Pasquale” e “Lúcia de Lammermour” e por último
Vincenzo Bellini na obra “Norma”. Na segunda metade deste século, surgiram
outros operistas italianos mundialmente consagrados: Giuseppe Yerdi com as obras
“Rigoletto”, “O trotador”, “A traviata”, “As vésperas sicilianas”, “Aída”, “Otello”,
“Falstaff”; Ruggiero Leoncavallo em “Os palhaços”; Pietro Mascagni em
“Cavalharia rusticana” e Giacomo Puccini
com a obra “La bohème”, “Tosca” e “Madame Butterfly”. Na frança também se
encontraram nomes importantes, como: Berlioz em “Benvenuto Cellini”, “Béatrice
et Bénedict”, Àuber com a obra “Fra Diavolo”, Bizet com a obra “Cármen”,
Debussy em “Pelléas et Mélisande”; os alemães Wagner com as obras “Tannhauser”,
“Lohengrin”, “Tistão e Isolda”, “Parsifal” e a célebre tetralogia de “O anel
dos nibelungos”, fundamentado na poesia épica da Idade Média germânica: "O
ouro do Reno", "Valquíria", "Sigfrid" e "O crepúsculo
dos deuses” e Strauss com a obras “Salomé” e “Electra”.
Já no Brasil, o Romantismo ganha
evidencia com as peças operísticas de Carlos Gomes, dramatizadas pela primeira
vez no teatro Scala de Milão em “O condor” (1871) e “O Guarani” (1871).
Apresentando uma realidade idealizada, o
Romantismo volta-se a representar aspectos técnicos e formais, incluindo assim,
uma nova concepção de personagens e uma temática diferente do clássico.
Ao estudarmos a vida e obra do alemão Johann
Wolfgang Goethe (1749-1832), podemos observar que além de poeta dramático foi
um exímio romancista e poeta lírico, ou seja, escritor perfeito. Estudou
Direito, medicina, botânica, política e literatura em Estrasburgo, mas ao
viajar à Itália, tendo contacto com os encantos rústicos e literários do
Classicismo, ponderou sua compreensão estética, começando a execrar a arte
romântica. Podemos perceber que em sua essência Goethe sempre foi um elitista,
sendo difícil identificá-lo como Clássico ou romântico, pois suas obras apresentavam
confusões emocionais. O poeta alemão trabalhou toda a vida nas consecutivas
produções do seu principal personagem do drama mais conhecido, desde a mocidade,
quando, pela primeira vez, sua fantasia entrou em contato com a figura lendária
de Fausto (famoso personagem da obra “O livro de Fausto”).
Por Silvio Moreira, temos uma
interpretação mais acurada da obra que deu a Goethe renome e prestígio. Segundo
ele, o atributo principal do personagem “Fausto” apresenta fortes traços de
semelhança com a história da vida do histórico Fausto e do próprio Goethe. Nos
três perfis psicológicos se descobre a inquieta aplicação, ao estudo de
matérias biológicas e humanas e a conseqüente desapontamento. O personagem
dedica-se a magia em um estilo satânico pelo seu estado de insatisfação com a
vida. Não apresentando coesão de ação, tempo ou lugar, mas tempo de duração das
ações, mesmo que indefinido, nos leva a entender que há uma extensão temporal e
que o enredo se passa em diversos lugares, em atmosferas mais reclusas (quartos
e celas) e abertas (montanhas e planícies). Podemos observar no contexto que a
ação central do enredo é o acordo entre Fausto e Mefistófeles e a posterior
conquista do amor de Guida. Também
podemos perceber a presença de representações líricas e folclóricas que também
prejudicam a amplitude dramática.
Finalmente, notando a abundância dos panoramas
e pela complexidade e diluição das ações, o Fausto de Goethe nos dá a impressão
de estarmos mais diante de um poema épico do que de uma peça dramática, a qual deveria
restringir-se a focalizar apenas um problema existencial. E que a poesia, na
medida em que vai deixando de ser elaborada como gênero à parte, passa a
deslocar para outros gêneros literários a sua especificidade de conceber a vida
humana em toda a sua forma difícil de ser entendida. Pudemos ver formas épicas,
como por exemplo na obra dramática Hamlet, embora muitas marcas épicas densas
foram achadas nos contos de Tolstoi, Joyce, Guimarães Rosa. Outra aparência que
é marcada por traços românticos é a da dramaturgia de Goethe em que a sua elocução
é muito diversificada, que do mais alto lirismo desce até declarações tão banais
ao ponto de palavras e sinais necessitarem retirados em exemplares juvenis. Essa
obra é uma variante romântica da ilusão do ser que, insatisfeito com a sua
situação de efêmera, procura algum meio para alcançar seu sonho de atingir a
eternidade. Embora este artifício se amplie de maneira burlesca: chegar a Deus
pela ajuda do Demônio; buscar a felicidade em abandono da própria alma.
O Romantismo como, aqui expresso, só
tornou-se o que é para a história, porque foi reconhecido e desenvolvido por
escritores que fizeram deste estilo de época, o meio pelo qual puderam
expressar seus sentimentos, emoções e até mesmo idealismo e esconder ou
mascarar suas próprias frustrações pessoais. Tido como um dos maiores estilos
de época, O Romantismos foi capaz de fazer com que a burguesia tivesse voz e
alcançasse uma cultura que à priori, era devotada à classe rica e abastada.
D’Onofrio, deixa bem explícito que a
Alemanha e Inglaterra foram os primeiros países que difundiram esta escola
literária no mundo, a qual se alastrou mundialmente por meio de escritores de
renome que espalharam novas tendências literária e que chegaram até nós, por
meio de obras de valor inestimável. Foi por meio da ideologia opositora ao
Classicismo, que o homem pode observar valores naturais com liberdade de
criação e expressão, com características que abrangiam o nacionalismo,
historicismo e medievalismo, valorização do folclore, o individualismo,
egocentrismo e pessimismo. Faziam desta escola literária uma das mais
importantes da história. Essas características influenciaram autores
brasileiros e as obras desses escritores como José de Alencar, Gonçalves Dias, que
buscaram na figura indígena a representação da beleza nacional.
Iracema, romance escrito por José de
Alencar, escrito em prosa romântica, relata a historia de amor entre uma índia
e um branco português, dessa história podemos observar uma forte relação entre
o país e o estrangeiro que aqui vem e apaixona-se pela terra, a qual vem a amar
e fazer sua nação.
Dessa maneira descrita por D’onofrio, o
Romantismo deixa suas marcas na história literária mundial, de forma sucinta e
retomando por meio de análises de obras as características principais desse
estilo de época.
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